quinta-feira, 19 de julho de 2012

Visconde de Mauá e Penedo



A alguns dias o Pasin andava com um comportamento estranho: ficava horas na internet, conversava no chat, checava e-mails, atendia telefones de números desconhecidos... Ele estava apaixonado... Então, a confissão: Ténéré era o nome da moça. Depois de muita paquera e uma certa insegurança ele me contou que iríamos buscá-la em Itatiba-SP! Eu dei força, também me apaixonei. Combinamos tudo, saímos daqui na sexta feira em que entrei em férias, saímos ao meio dia. 

O caminho é aquele conhecido, de Porto velho/RO à Cuiabá/MT sem novidades.  São muitos quilômetros de plantações que variam de algodão, soja, milho à cana e até mesmo camomila! Não quero provocar os defensores da floresta, mas eu acho tão bonito o que vejo! E acho mais bonito por saber que setenta por cento disso é de agricultura familiar.




Por muitas horas o meu olhar se perde na paisagem, e na minha cabeça a música de Milton me enche o coração de alegria:

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão
Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel,
Se lambuzar de mel
Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, propícia estação
De fecundar o chão"

                          (Cio da Terra, de Milton Nascimento)

A paisagem se mostra surpreendentemente florida (não é inverno?). Flores amarelas são frequentes, chocando-se com azul do céu...Tão lindo! O Rosa também aparece, e o vermelho... Observamos a tudo embevecidos, a música embala os pensamentos soltos. A estrada convida a ficarmos por mais tempo. lança seus perfumes de flores, de cana, de verde...



O dia passa, nem sentimos... A noite inicia tímida. Um luar aparece quando o sol ainda nem se foi. De um lado da janela vemos a lua cheia, de outro, o sol se pondo... Espetáculo espetacular!!!



O encontro da lua e o sol: espetáculo espetacular!



A viagem estava ótima, a estrada muito boa, era o segundo dia, queríamos estar em Itatiba no dia seguinte. Em Icem, divisa com São Paulo e Minas, paramos em um hotel chamado Deck... Estava escuro e nem entendi bem o motivo do nome do Hotel. No dia seguinte, depois de uma boa noite de sono, SURPRESA: O lindo Rio Grande, límpido e claro, com uma mata florida! Café da manhã tomado, hora de buscar a mocinha azul!



Rio Grande- Icem/ MG.

Vista do Deck Hotel

Chegamos em Itatiba pela tarde. Um café estiloso foi oferecido pelo Cristiano (o rapaz com quem Pasin conversava por telefone e trocava os tais e-mails) e aceito, mas a vontade era mesmo de ver a mocinha, que já tem nome: Smurfette! Acertamos tudo com o Cristiano e fomos ver a menina na oficina. Conversa longa com os atenciosos e prestativos mecânicos. Wagner e o Dhione. 

Pasin recebendo as informações do mecâncio Wagner- o prestativo!



Felicidade! Era hora de pegarmos a estrada até Aparecida para ver "D. Cidoka" e resolver a parte financeira da negociação. Mas, tinha ainda algo muito triste e chato pra resolver: o carro estava um pouco lento e "engasgando". Ligamos para o nosso amigo Marco (lembram dele?) e ele sentenciou: filtro de combustível sujo. No dia seguinte, passamos no banco e depois na oficina.

O filtro novo é tão branco que fica difícil fotografar ao lado filtro imundo... Tristeza!


 Problemas resolvidos, teríamos a quarta-feira de folga pra passear. Dia seguinte, depois do café a clássica pergunta: o que faremos hoje? Pasin me pergunta se conheço Visconde de Mauá. Eu digo que não, então ele me diz que vamos almoçar lá. Oba!! Saímos de Aparecida  pelas 10h. Até Mauá são 100km e logo chegaríamos. Na subida, observo a vegetação que, agora, é de mata atlântica. É muito bela, com cipós e folhagens que pendem das árvores, araucárias e pinheiros surgem e um cheiro silvestre enche o ar mais fresco, apesar do sol. Leio: "Ponto de pergunta" e me pergunto o motivo. (risos). Logo, na curva vejo uma lanchonete onde as pessoas param para perguntar se estão no caminho certo...



Minha curiosidade aguça a medida que subimos, serpenteando. Vejo uma placa que diz "Mirante da Luz" e começo a me sentir em casa. Paramos para observar a vista e Pasin me situa geograficamente, "Olhe, lá fica a AMAM e ali a Serra do mar. Enfim, um pequeno "pórtico" anuncia a nossa chegada. Paramos e eu busco orientação em um imenso mapa. Entro e compro folhetos informativos vendidos por uma ONG. 



Pequeno pórtico de Mauá



Mapa que eu comprei da ONG, com o caminho e os nomes das muitas cachoeiras.

Então, no tal mapa eu leio "terra da luz, cultura e gastronomia". Estou em casa, digo mais uma vez! Logo a frente outra placa informa "chácara Jardim da Luz"... Acho engraçado ver meu sobrenome em tudo (auto-referente, não?)!! Seguimos rumo a Campo Alegre. No caminho, casas coloridas com seus jardins, pérgolas e tudo muito bonito, Chegamos a um hotel e restaurante, Estávamos com fome e resolvemos conhecer,





O restaurante estava fechado, não abria para o almoço, mas haveria um lanche e o jantar logo mais tarde. Perguntei se poderia fazer fotos e conhecer melhor o local e me foi gentilmente concedido. Do restaurante, uma sacada dava vista para uma piscina e, em seguida à uma pérgula, com "sapatinhos de judia" que pendiam sobre  as mesinhas brancas. Um salão de jogos com uma decoração vintage oferecia diversão e chalés em pedra com hidromassagem e lareira hospedariam os mais requintados.











Cartão do Hotel, pra quem se interessar...

Tudo muito lindo, com um heliporto à espera dos que chegam pelo ar. Nem me atrevi a perguntar a diária desse lugar demasiado lindo para o nosso gosto- nem tão fino assim- e nossos bolsos - nem tão gordos!! Agradeci e fomos procurar um lugar mais modesto com boa comida.


No caminho, vejo um ribeirão de águas cristalinas e de fundo pedregoso. Ao longe, uma casa nos estilo colonial me faz lembrar a novela "O Casarão"... Coisas da minha infância... Essas memórias sempre me aparecem feito fantasmas que não me assustam, mas me fazem viajar no tempo...


Avistamos um lugar charmoso e simples, bem ao nosso gosto, e paramos. Pedimos o cardápio e nos interessamos por uma cerveja artesanal (muito cara, mas muito saborosa). Percebi que as pessoas ficavam nas calçadas das casas, nas mesas do lugar com seus aparelhos, navegando. Perguntei ao rapaz se havia Wi-fi zone e me surpreendi com a resposta: " Aqui, nossa cidade é digital. O sinal é aberto e se pode acessar de qualquer lugar". Ok. Pedi uma truta com alho, prato do lugar e, em quanto aguardávamos, saboreávamos a cerveja e navegávamos na net.


Olha a comunidade XT660.net na tela!

Eu não contei pra vocês, mas Pasin gosta muito de trocar informações e conhecer pessoas em comunidades sobre moto, motothome, truck-home, fotografias, viagens... Eu também participo de algumas e temos vários amigos virtuais. Foi numa dessas comunidades, a XT660.net, que ele acabou fechando o negócio da Smurfette, por intermédio do Sr. Paulo Roberto (valeu, heim! Estamos lhe devendo um "JW Blue"!).Também foi numa dessas que ele conheceu o Victor Hellmeister, de quem eu falei na postagem anterior. Então, a comida chegou, a cerveja acabou e Pasin conversava animadamente com seus parceiros!



Fim do almoço, era hora de conhecer um pouco das muitas, várias cachoeiras que lá existem. Como eu  ainda queria ir à Penedo fazer umas comprinhas, fomos a uma mais próxima: A cachoeira do Alcantilado. Pegamos um caminho de estrada de chão, muito bonito. São aproximadamente 12km em que fomos lentamente. Ao chegar lá, pagamos uma entrada de R$8,00 e seguimos à pé até a cachoeira. Eu sabia que deveria ter levado o tripé, mas, por sorte, pude apoiar a máquina em algumas pedras para fazer as tais longas exposições. Valeu à pena!!













 No cair da Tarde, fomos à Penedo, que fica logo no caminho para a BR 116. Penedo é uma cidadezinha de colonização e tradições filandezas. Tem um jeito muito particular e muitos artesanatos que eu adoro, fico muito contente em comprar essas coisas para nossa casa . Acho um charme aquele lugar e o clima também é muito agradável.

Rua de Penedo


Pequena Finlândia





Eu, me achando a "Branca de neve"! hehehe

Já era noite quando voltamos para casa. Nos despedimos de D. Apparecida e, no dia seguinte, fomos até Pirassununga, falar com nosso amigo, ainda virtual, Victor Hellmeister.  Ele é arquiteto e projeta o interior de motohomes, trails e afins. Precisávamos saber um pouco mais sobre como montaremos nossa casa sobre o caminhão, então, fomos ter com ele.

Pasin e Victor em um motorhome.


Um engenheiro, o outro arquiteto... sincronia perfeita!

Chegamos na Motor Trailer já passavam das 14h. Foi uma tarde inteira de uma conversa afinada, no mesmo passo. Muitas dúvidas sanadas, muita disposição em explicar - do Victor- e de escutar- a nossa. São tantos detalhes: do tipo de janela à clarabóia...Tudo é pensado, pesado, medido. Agora, a nossa casa começa a ser esboçada com mais esmero em nossas mentes, já é possível visualizar muita coisa... Foi um encontro proveitoso! Victor agora tem rosto e timbre de voz, assim como nossa casa agora tem formas e cores. Hora de irmos para Itatiba.

No dia seguinte, chegamos nas primeiras horas do dia em frente a concessionária Yamara. Vimos nossos gentis vendedores chegando e, tão logo os portões abriram, entramos. Toda a documentação  e  a entrega técnica nos foram passadas por Hélio, o gerente. Colocamos a Smurffete na carretinha e, com os préstimos do atencioso Wagner, cuidamos de cada detalhe para não causar nem mesmo um arranhão nessa belezinha!

Hélio fazendo a entrega técnica: Até um dos incríveis pendurou-se para ver!

Que capricho do Wagner: Amarrou flanelinhas nas catracas dos esticadores!


Voltamos para casa pelo mesmo caminho. Tudo tranquilo e  calmo até Cuiabá. Lá, a estrada muda, infelizmente, e temos alguns trechos bem ruins. A novidade mesmo ficou por conta do clima. Acreditam que uma frente fria veio no nosso reboque e tomou as cidades de Mato Grosso? Nem acreditei naqueles 17º em Jaciara. E a neblina espessa que foi tomando conta da estrada? Sinistro! Paramos. Mas seguro e quentinho!!

No dia seguinte chegamos ao meu estado. Fim de um dia azul, de brinde um lindo pôr de sol. No outro dia chegaríamos em casa ao entardecer... Chegaríamos! Uma buraqueira fez com que a carretinha quebrasse, próximo à Presidente Médice! Isso nos cansou um pouco e nos fez chegar em casa madrugada a dentro... Apesar de tudo, chegamos em casa bem e felizes!!





Nossos caminhos, agora, contam com o "up grade" de uma ténéré. Em breve, estaremos contando a vocês os passeios que faremos com ela. Acreditem, estamos ansiosos para isso!!

Até breve!!






Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas úmidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o es...